Mário Matins: PARABÉNS SEU GASTÃO CERQUINHA, 99 ANOS DE UMA VIDA DIGNA E HONRADA

domingo, 25 de abril de 2021

PARABÉNS SEU GASTÃO CERQUINHA, 99 ANOS DE UMA VIDA DIGNA E HONRADA

Hoje o senhor Gastão Cerquinha está completando 99 anos, que Jesus continue lhe protegendo e abençoando.

Vejam a mensagem do seu filho Magno Martins:


Hoje, 25 de abril, é um dia muito especial para nossa família, a mistura dos Martins, de Monteiro (PB), com os Fonseca, de Porto, Portugal. Descendente de linhagem lusa, meu pai Gastão Cerquinha completa 99 anos. Amanhã, sua vida já estará no ano do seu centenário.

Papai nasceu no sítio Borges, hoje um bairro na entrada de Afogados da Ingazeira, 386 km do Recife. Os portugueses, é sabido, descobriram o Brasil pelo litoral, mas se infiltraram fortemente no Sertão em busca de algodão, o ouro branco como cantou Luiz Gonzaga. A exploração da matéria-prima para a indústria têxtil foi responsável pelo primeiro ciclo - e talvez único - de prosperidade no Sertão euclidiano.

Meu avô Augusto Cerquinha, pai de papai, assistiu muita gente se dar bem na vida cultivando e explorando o fio branquinho, que muito tempo depois foi corroído pela praga do bicudo. Seu meio de vida sedimentou na arte de fazer alpergatas em couro cru. Do seu ateliê, o maior de Afogados da Ingazeira, tirou o sustento de uma enorme prole com minha avó Mariinha: 13 filhos. Papai era forçado a trabalhar no corte do couro de boi e bode, mas nunca gostou do cheiro da graxa e da tinta usados nos diversos modelos de alpergatas.

Fugiu do forte cheiro da graxa para encontrar no comércio o ganha pão. Começou vendendo banana na feira livre, abriu em seguida uma padaria, depois uma loja de miudezas, ingressou nos Correios e Telégrafos, foi vereador e vice-prefeito de Afogados. Apaixonado pelo Sertão e Afogados, escreveu três livros biográficos de personagens importantes do município.

Na adolescência, assistiu um irmão levar um tiro nos olhos, vindo a ficar cego. Por muito tempo, foi guia do mano, que morreu muito cedo. Se a tristeza marcou essa fase da sua vida, a alegria dentro da família se deu de outra forma muito tempo depois com a medalha de bronze nas Olimpíadas de Londres da pentatleta Yane Marques, neta de José Coió, seu irmão, já falecido.

Papai nunca fumou, nunca bebeu, nem tampouco foi chegado à festas. Viveu para a vida inteira dedicado à família. Saudável, trabalhou até aos 90 anos. Assisti ele, nesta idade, a subir em árvores para colher frutas, andar em garupa de moto e fazer outras cositas quase impossíveis ao peso da idade sem nunca reclamar sequer de uma dor de cabeça.

Um homem dessa magnitude merece todas as homenagens do mundo. Pai devotado, homem público ficha limpa, amante da terra, apaixonado pela vida, papai é um homem feliz e amado. Amado pelos seus filhos, nove ao todo, que vão render-lhe, hoje, todos os paparicos a que tem direito.

A alegria de um pai é ver a felicidade dos filhos estampada no rosto. É descobrir que o amor incondicional existe, o maior e mais sincero de todos. É amor que nasce espontâneo, consistente e condensado. Estou convencido que papai é um anjo sem asas, oferece o coração aos filhos sem jamais largar a mão. É um amigo eterno. 

Quando olho para ele, vejo como é parecido com mamãe Margarida. Talvez seja por isso que eu sinto que o amo em dobro.

Viva papai!

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