Mário Matins: ATENTADOS CONTRA IGREJAS CATÓLICAS E HOTÉIS NO SRI LANKA MATAM MAIS DE 200 PESSOAS NO DOMINGO DE PÁSCOA

domingo, 21 de abril de 2019

ATENTADOS CONTRA IGREJAS CATÓLICAS E HOTÉIS NO SRI LANKA MATAM MAIS DE 200 PESSOAS NO DOMINGO DE PÁSCOA

Karunarathne/AP
Uma série de atentados com explosões em igrejas católicas que celebravam a Páscoa e hotéis de luxo no Sri Lanka deixou 207 mortos e mais de 450 feridos neste domingo (21), segundo as autoridades policiais.
Fontes oficiais disseram que havia ao menos 27 estrangeiros entre os mortos, entre eles três indianos, três britânicos, dois turcos e um português, além de duas pessoas que tinham cidadania dos EUA e do Reino Unido, um cidadão chinês e um holandês. Há ainda nove estrangeiros considerados desaparecidos.

Nenhum grupo reivindicou autoria das ações até o momento. Treze pessoas foram presas durante uma operação de captura dos suspeitos em Colombo, segundo a polícia. O ministro da Defesa do país, Ruwan Wijewardene, diz ainda que dois policiais morreram na ação.
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O que se sabe até agora

  • 8 explosões atingiram o Sri Lanka neste domingo
  • 4 hotéis, 3 igrejas católicas e um complexo de casas foram alvos
  • Atentados ocorreram na capital, Colombo, e em outras duas cidades
  • 207 pessoas morreram e mais de 450 ficaram feridas
  • 27 mortos são estrangeiros
  • Nenhum grupo assumiu a autoria até o momento
  • 13 suspeitos foram presos

Sequência de ataques

Foram oito atentados. Seis ocorreram na capital, Colombo, atingindo quatro hotéis, uma igreja e um complexo residencial. Outros dois ataques foram registrados em igrejas nas regiões de Katana e Batticaloa.
Os primeiros casos ocorreram de forma coordenada por volta das 8h45 (0h15, no horário de Brasília), em três hotéis de Colombo e três templos católicos que realizavam missas em celebração à Páscoa, nas três cidades atingidas.
Horas mais tarde, outras duas explosões ocorreram na capital. Uma delas, que deixou dois mortos, ocorreu em um pequeno hotel situado ao lado do zoológico de Dehiwala. A outra, em um complexo de casas em Dematagoda, na periferia de Colombo.
Ataques conta 4 hotéis, três igrejas e um complexo residencial no Sri Lanka — Foto: Rodrigo Cunha/G1
Ataques conta 4 hotéis, três igrejas e um complexo residencial no Sri Lanka — Foto: Rodrigo Cunha/G1
No hotel de luxo Cinnamon Grand, em Colombo, um homem-bomba detonou o explosivo na fila de clientes que esperava para entrar em um bufê de Páscoa no restaurante do local.
"Ele se dirigiu para o início da fila e se explodiu", relatou um funcionário para a AFP. "Era o caos total", acrescentou.
Pessoas mortas após atentado em igreja de Santo Antônio em Colombo, Sri Lanka, neste domingo 21). — Foto: AFP
Pessoas mortas após atentado em igreja de Santo Antônio em Colombo, Sri Lanka, neste domingo 21). — Foto: AFP
Parentes de vítimas choram perto de igreja no Sri Lanka — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
Parentes de vítimas choram perto de igreja no Sri Lanka — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
Pessoas reagem após atentado a um templo em Colombo, Sri Lanka, neste domingo (21). — Foto: AP Foto
Pessoas reagem após atentado a um templo em Colombo, Sri Lanka, neste domingo (21). — Foto: AP Foto

Investigação

O primeiro-ministro, Ranil Wickremesinghe, convocou uma reunião do conselho de segurança nacional em sua casa para o final do dia. "Eu condeno veementemente os ataques covardes contra nosso povo hoje. Eu chamo todos para permanecerem unidos e fortes", postou no Twitter.
Padres caminham perto de igreja após atentado — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
Padres caminham perto de igreja após atentado — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
O presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, pediu calma ao país. "Por favor, fiquem calmos e não sejam enganados por rumores", declarou Sirisena, em mensagem à nação.
Sirisena, que se mostrou "em choque e triste com o que ocorreu", esclareceu que "as investigações estão em curso para descobrir que tipo de conspiração está por trás destes atos cruéis".
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Toque de recolher

O governo impôs um toque de recolher no país. O governo também decretou um bloqueio temporário das redes sociais para impedir a difusão de mensagens falsas sobre os atentados.
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"O governo decidiu bloquear todas as plataformas de redes sociais com o objetivo de impedir a propagação de informações incorretas e falsas. Trata-se de uma medida temporária", anunciou a presidência, em um comunicado.
Atentados desta magnitude não aconteciam no Sri Lanka desde a guerra civil entre a guerrilha tâmil e o governo, um conflito que durou 26 anos, terminou em 2009 e deixou, segundo dados da ONU, mais de 40 mil civis mortos.
O último deles foi em 2008, quando o governo teve que declarar estado de emergência após confrontos entre muçulmanos e budistas. No Sri Lanka, a população cristã representa 7%, enquanto os budistas são cerca de 70%, de acordo com o Censo feito em 2012.
Sapato de vítima em frente a igreja no Sri Lanka — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
Sapato de vítima em frente a igreja no Sri Lanka — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters

Reações

As igrejas cristãs na Terra Santa expressaram seu pesar após os atentados. "Que difíceis, irritantes e tristes são estas notícias, especialmente porque os ataques aconteceram enquanto os cristãos comemoravam a Páscoa", lamentou o assessor de líderes da Igreja na Terra Santa, Wadie Abunassar.
Ele transmitiu sua solidariedade ao Sri Lanka e "a todos seus habitantes em suas várias confissões religiosas e origens étnicas". "As igrejas rezam pelas almas das vítimas e pedem a rápida recuperação dos feridos", acrescentou, em comunicado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede social: "Os EUA prestam suas sinceras condolências ao grande povo do Sri Lanka. Estamos prontos a ajudar!". Inicialmente, Trump havia postado que o número de mortos era de 138 milhões, mas corrigiu o número para 138 em um novo post.
Área de hotel atingido por explosão é vistoriada em Colombo — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
Área de hotel atingido por explosão é vistoriada em Colombo — Foto: Dinuka Liyanawatte/Reuters
O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou em uma rede social que, mesmo em dia sagrado, o "extremismo deixa rastros de morte e dor". Ele condenou os ataques e pediu conforto aos que sofrem:

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