Mário Matins: MULHERES PODERÃO CHEGAR À PATENTE DE GENERAL E ATÉ AO COMANDO DO EXÉRCITO BRASILEIRO

domingo, 18 de fevereiro de 2018

MULHERES PODERÃO CHEGAR À PATENTE DE GENERAL E ATÉ AO COMANDO DO EXÉRCITO BRASILEIRO



Pela primeira vez na história do Exército Brasileiro, as mulheres poderão se tornar oficiais combatentes e chegar à patente de general e até ao comando do Exército
Pela primeira vez na história do Exército Brasileiro, as mulheres poderão se tornar oficiais combatentes e chegar à patente de general e até ao comando do ExércitoFoto: Divulgação/Exército Brasileiro













Pela primeira vez na história do Exército Brasileiro, as mulheres
poderão se tornar oficiais combatentes e chegar à patente de
general e até ao comando do Exército. Este ano, 33 alunas
foram recebidas na Academia Militar das Agulhas Negras
(Aman), em Resende, no estado do Rio de Janeiro, e serão as
pioneiras na linha de ensino militar bélico da força.

No fim de janeiro, elas foram recebidas na academia, oriundas
da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx),
para o período de adaptação e, neste sábado(17), entraram
oficialmente na Aman, na cerimônia de passagem dos novos
cadetes pelo Portão Monumental. Somente após essa cerimônia,
o aluno passa a ser chamado de cadete e, após o curso
de quatro anos de formação de oficial combatente, é declarado
como aspirante a oficial.


Em entrevista à Agência Brasil, a aluna Ana Luiza Santana,
de 19 anos, disse que o primeiro ano na EsPCEx foi muito
gratificante. “Saí de lá bem melhor que entrei”, disse. “Homens
e mulheres têm pontos de vista diferentes sobre os mesmos
assuntos. Isso pode acrescentar ao Exército”, ressaltou Luiza
ao comentar a decisão do Exército em aceitar as mulheres na
linha bélica. “Está sendo uma vitória para mim. A formação é
difícil, mas eu sinto que consigo me superar a cada dia”.

Segundo o subcomandante da Aman, coronel Sebastião
Roberto de Oliveira, há quase 30 anos, o Exército tem
comandantes e oficiais mulheres nas áreas de tecnologia,
saúde e educação, por exemplo. “Já não nos estranha a
presença feminina, encaramos de forma natural. Há uma
integração positiva entre eles. Agora vão estar mais na frente
de combate”, disse.

Oliveira explicou que toda a academia foi preparada e adaptada
para a inserção das mulheres, foram feitas tanto mudanças
estruturais, em alojamentos e regulamentos de vestimenta,
por exemplo, como a capacitação de instrutores. “Mas
não tem tratamento diferenciado”, disse, ressaltando que os
aspectos fisiológicos e capacidades físicas são respeitadas.

Para o coronel, as características que são mais expressivas
nas mulheres também poderão contribuir para sua função no
 Exército. “A comunicabilidade da mulher, ela é mais comunicativa,
pode ajudar em alguns aspectos. Elas também são mais
detalhistas, e podem ajudar também com essa habilidade”,
explicou. “Estamos bastante felizes. É algo natural na
sociedade, a mulher sendo valorizada. Somos parte da sociedade,
e a presença da mulher é bastante importante”, disse.

Segundo a aluna Maria Cecília da Silva Vieira, de 18 anos,
a adaptação na Aman está acontecendo de forma natural. “A gente
não fica lembrando que é a primeira turma [com mulheres],
me sinto incluída, especialmente pelos homens da minha turma”,
disse. Ela revela que ainda não pensou qual curso escolherá na
academia. “Aqui, na Aman, como é muito puxado [o treinamento],
acho que posso falar por todos os alunos, que a nossa aspiração
é chegar até o final de semana”, disse ela, rindo.

O concurso para a EsPCEx reservou 10% do número de vagas
masculinas para as mulheres; 400 homens e 40 mulheres
ingressaram na escola preparatória. Dessas, 33 passaram para
a Aman. Este ano, elas realizarão o curso básico e, do segundo
ao quarto anos na academia, os cadetes seguem a formação já
dentro de cada especialidade - Armas (infantaria, cavalaria,
artilharia, engenharia e comunicações), Quadro de Material Bélico
ou Serviço de Intendência.

Para o aluno João Pedro Gomes, de 19 anos, é uma honra estar
na primeira turma com as mulheres. “Não existe competição, existe
cooperação para o trabalho. Eu acho que vai ser ótimo para o
Exército”, disse.

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