Mário Matins: Aécio é vaiado e fica apenas 40 minutos em convenção do PSDB

sábado, 9 de dezembro de 2017

Aécio é vaiado e fica apenas 40 minutos em convenção do PSDB






Aécio Neves
Aécio NevesFoto: George Gianni




















O presidente licenciado do PSDB, senador Aécio Neves (MG),
foi hostilizado neste sábado (9) ao chegar à convenção nacional
do partido, em Brasília.

Na entrada do centro de convenções, onde ocorre o evento,
uma claque favorável ao mineiro o aguardava. O nome
dele (escrito em chapéus de alguns dos apoiadores que o
esperavam) foi gritado em coro pelo grupo.

Eles seguravam uma faixa em que o mineiro era aclamado
como "o melhor presidente da história do PSDB" e
agradeciam a ele por sua "coragem e comprometimento com
o país".

O grupo o acompanhou até a porta do auditório. Lá dentro, sem
os apoiadores, Aécio ouviu vaias e gritos de "fora!".

O locutor do encontro tentou contornar a situação. O mineiro
não foi chamado para sentar à mesa montada no palco da
convenção e, na sequência, deixou o evento. Ele ficou no
local durante 40 minutos.

Tucanos, no entanto, disseram que as vaias não foram para o
senador, mas para o governador do Distrito Federal, Rodrigo
Rollemberg.

Aécio perdeu força no partido e se licenciou da presidência
da sigla em maio, depois que foi gravado pedindo R$ 2 milhões
ao empresário Joesley Batista, da JBS.
Ele chegou a ter o mandato suspenso e o recolhimento
noturno determinados pelo STF (Supremo Tribunal Federal),
mas o Senado reverteu a decisão. Nesta semana, o mineiro
teve seus sigilos bancário e telefônico quebrados.



Apesar das vaias, aliados de Aécio se mostraram aliviados com
gritos de guerra em sua defesa. "Graças a Deus", disse o deputado
Caio Nárcio (MG).

André Pagy, delegado do PSDB-MG, o defendeu. "O legado
do senador é histórico. Ele tem uma importância enorme para o
partido e nós estamos aqui para apoiá-lo. As pessoas têm
direito de se manifestar contra, é da democracia".

Militantes de Minas Gerais reclamaram que Aécio não foi
anunciado com destaque e gritaram o nome dele de novo.
O deputado Marcus Pestana (MG) foi até eles e explicou
que a decisão foi tomada para evitar manifestações contra o
senador.

BALANÇO
Logo que chegou à convenção, Aécio fez um rápido balanço de
sua gestão à frente do PSDB e defendeu a unidade da legenda.

"Esse período dos últimos quatro anos em que administrei como
presidente o PSDB foi o mais fértil, de crescimento do partido",
disse. "O PSDB depende de sua unidade interna para vencer
os adversários que estão no campo externo."

Questionado se acreditava em uma aliança com o PMDB no
ano que vem, o senador respondeu: "Não fecho as portas para
ninguém".

Aécio também defendeu a reforma da Previdência e disse que pior
do que vê-la aprovada sem os votos do PSDB "é vê-la não aprovada
pela ausência dos votos do PSDB". "Acredito que o governador
Geraldo Alckmin terá as condições de levar o partido a
reafirmar os seus compromissos com as transformações estruturais
que o país precisa viver", emendou.

Nas últimas horas, Aécio informou a aliados que faria passagem
curta pela pela convenção e evitaria constrangimentos ao governador
de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Alguns dos temores dos aliados do paulista era que o mineiro
quisesse discursar no evento ou que ele aparecesse ao lado de
Alckmin na foto oficial em que ele deverá figurar como pré-candidato
ao Planalto.

OUTRAS LIDERANÇAS
Líderes tucanos começaram a chegar no fim da manhã à convenção
do PSDB. O governador Geraldo Alckmin, que deve assumir o
comando da sigla durante a reunião, fará um discurso em que é
esperado seu lançamento como pré-candidato a presidente em 2018.

Acompanhado do senador Tasso Jereissati (CE), destituído da
presidência do PSDB por Aécio Neves em novembro, Alckmin
tomou café ao lado do espaço.
Os discursos de deputados e senadores filiados à legenda se
iniciaram perto do meio-dia. Antes, militantes e delegados estaduais
falaram no palco, onde um gigante painel exibe, abaixo do nome
do partido, a frase: "Unidos por um Brasil que precisa mudar".





Folha PE

0 comentários: